A reinvenção do marketing: como sobreviver à crise?

“Tenha medo quando os outros forem gananciosos e seja ganancioso quando os outros tiverem medo”, a frase é de Warren Buffet e pode ser muito útil especialmente no momento em que vivemos. 

Num período em que a Covid-19 pode custar US$2.7 trilhões à economia global, segundo matéria publicada na Bloomberg, é normal todos nós ficarmos assustados e empresas sentirem-se paralisadas. Mas, se tem algo que outros momentos difíceis ensinaram aos nossos negócios, é que se “quem não é visto não é lembrado”, é justamente quando outros estão com medo que, nas palavras de Warren Buffet, precisamos ser gananciosos.

Para quem quer ver sua marca ganhar algum destaque e não ser esquecida na multidão o segredo está na reinvenção do marketing (afinal, quando tudo isso passar você não quer que seu cliente lembre-se do seu concorrente, não é mesmo?).

Para falar sobre o tema, buscamos um artigo publicado na Forbes. Nele, o autor, Robert Reiss, compartilha alguns insights que teve em conversa com Pranav Yadav, fundador e CEO da Neuro-Insight US, uma consultoria de neuroanalítica que mapeia o subconsciente humano para obter insights sobre a motivação e o desejo humanos. 

A seguir, alguns dos pontos abordados:

A mudança no marketing

Mais do que nunca, sabemos que o marketing tem como princípio básico entender os problemas dos clientes para comunicar-lhes soluções. Em suma, é o marketing que preenche a lacuna entre necessidades de um lado e a disponibilidade do produto de outro.

A questão é que, assim como todo um mercado é bagunçado por conta de uma pandemia, o mesmo se dá com a área de marketing, que muitas vezes é negligenciada pelas empresas que a enxerga como um custo. 

Apesar de não termos uma data exata de quando tudo isso acabará, é verdade que temos que considerar um cenário pós-pandemia. Ou até mesmo um cenário de mudança de comportamento durante a crise propriamente dita.

Por exemplo, como pessoas reagirão à proximidade física e a lugares lotados? Quanto tempo levará para que feiras setoriais voltem a ser frequentadas e movimentem setores?

Essas são questões que lidam com a percepção humana e, logo, devem ser preocupações também do marketing. A explicação é simples: como diz Pranav Yadav, “se os profissionais de marketing não agirem em conjunto, tentando entender o humano do outro lado, a única curva que achatará é a curva de recessão”.

Marketing e percepção humana

Existe uma disciplina que une os dois pontos. Nos referimos ao neuromarketing, que faz uso da neurociência para entender melhor o comportamento do consumidor. 

Partindo de uma definição técnica, neuromarketing pode ser descrito como a ciência que estuda o comportamento do consumidor, aplicando conhecimentos e ferramentas em neurociência”. Quando o conhecimento em neurociência é aplicado na área de marketing, temos o que chamamos de neuromarketing teórico.

Já quando são aplicados métodos ou ferramentas de pesquisa em neurociência para realizar pesquisas de mercado, temos o neuromarketing aplicado. Yadav comenta que na Neuro-Insight utiliza-se uma metodologia patenteada chamada topografia de estado estacionário (SST) para medir a atividade cerebral enquanto os participantes estão consumindo qualquer tipo de estímulo em qualquer tipo de plataforma.

Ao fazer isso, é possível saber como pessoas reagem a ideias ou mensagens a que são expostas. Para você entender melhor, Yadav conta que nove dos 55 comerciais do Super Bowl de 2019 foram otimizados pelo Neuro-Insight. 

A matéria da Forbes apresenta ainda que: “como exemplo, uma marca de cerveja promissora introduziu um novo produto usando uma ideia do digital que eles estavam traduzindo para a TV durante o Super Bowl de 2019. Medimos a resposta cerebral segundo a segundo e vimos que, embora a narrativa fosse fantástica, houve certos momentos-chave que sinalizavam inadvertidamente e prematuramente ao cérebro que a história havia terminado, o que impedia as pessoas de tirar a mensagem principal. (…) Identificamos e otimizamos essas cenas e a narrativa, ajudando a maximizar o desempenho da marca no criativo, levando a um aumento de 12% na conscientização após o jogo, e agora é a marca de cerveja que mais cresce”.

O neuromarketing, portanto, reforça algo que já tínhamos conhecimento: que a maior parte de nossa tomada de decisão ocorre no subconsciente. Por isso, Yadav faz uma reflexão, dizendo que “quando emergirmos dessa crise de saúde, minha esperança é que nos tornemos uma sociedade humana mais forte, elevada pela maior compreensão do visível e do invisível, consciente e subconsciente”.

E então, podemos falar de relacionamento com cliente

Para que saíamos fortes dessa crise precisamos – e aqui mais uma vez usando Buffet – ousar. No entanto, para o marketing ousar não necessariamente significa ousar no sentido de gastar muito dinheiro ou de ter uma ideia revolucionária.

Sempre que há uma crise empresas precisam entender que devem agir de modo inteligente, pensando no longo prazo ao invés de focarem-se no que vivem no momento. Mesmo que não tenha como vender agora porque seu cliente está parado, existe a possibilidade de seu contato continuar sendo estabelecido.

Possibilidade essa, aliás, que hoje em dia deve ser vista como obrigação a qualquer empresa que queira sobreviver. Com pessoas passando mais tempo em suas casas, as redes sociais são ainda mais acessadas. Sua comunicação com seu cliente pode começar com um post, por exemplo.

Trazendo isso para o contexto do neuromarketing, lembre-se que em redes sociais o estímulo visual é muito poderoso. Portanto, assegure-se de que a mensagem conte com imagens realistas e que consigam despertar algum sentimento no usuário.

Principalmente quando não podemos levar um produto para apresentar a um cliente, imagens e vídeos 3D atraem a atenção tanto se esse cliente for um consumidor final (B2C) ou outra empresa (B2B). Tenha em mente que, em termos de neuromarketing, mesmo se seu cliente não comprar agora, o fato de uma ação ficar no seu inconsciente fará toda a diferença lá na frente, quando o cenário mudar.

Concluindo 

Por tudo isso, não caia no erro de deixar seu cliente de lado justamente quando outros têm receio de agir (e toda vez que ficar na dúvida, lembre-se da frase de Warren Buffet: “Tenha medo quando os outros forem gananciosos e seja ganancioso quando os outros tiverem medo”).

E não esqueça de, seguindo o conselho de Pranav Yadav no artigo da Forbes, buscar sempre entender o humano do outro lado da interação. Portanto, quando for criar sua estratégia ou desenvolver a próxima ação, foque no que o seu público precisa.

Com uma campanha certa você consegue distrair o público (como em ações de Realidade Aumentada) ao mesmo tempo em que apresenta seu produto e garante a criação de uma conexão emocional. Caso queira inspirações, para saber sobre estratégias que pode adotar neste momento confira as tendências de marketing para 2020

E para mais insights como este, não deixe de conferir outros artigos no blog da Signia Digital. Aproveite também e compartilhe este conteúdo com seus colegas. Até a próxima!

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